Formatura-2018

Em sua homilia, Dom Cesar Teixeira fala aos futuros Bachareis em Teologia e a todos os presentes.

Homilia de formatura Turma de Teologia 2018

Faculdade Católica de São José dos Campos

             Estamos aqui reunidos, com alegria e na alegria, para a formatura de mais uma turma de estudantes de teologia da Faculdade Católica de São José dos Campos. Agradecemos a Deus esta oportunidade e esta graça. Nossa celebração solene terá dois acontecimentos importantes: iniciamos com a celebração do Mistério Cristão, a Eucaristia, que é, para nós, o centro e ápice de toda formação teológica. E depois faremos o segundo passo: “a colação de grau” que diz respeito à formação acadêmica dos alunos que ora encerram seus estudos e recebem o seu merecido título acadêmico. Mas, não nos esqueçamos de que entre um ato e outro existe uma dimensão diferente de valor: primeiro o mergulho no mistério de Cristo, depois o serviço ao mesmo Cristo em favor dos irmãos.

O Evangelho de Mateus que ouvimos no capítulo 11 nos apresenta Jesus como revelador do Pai e como mestre da vida. Jesus é pois, o ÍCONE do formado em teologia na perspectiva de nossa faculdade católica. Também nós pensamos que o “formado em teologia” vá ser um revelador do Pai e um mestre enraizado na vida de Jesus.

A formação teológica (teológica-pastoral, moral, espiritual, litúrgica etc) – atenta quer aos desafios que apresenta a nova evangelização nos diversos contextos, quer às diversas formas de encarnação do ministério pastoral – pede que se assuma a inculturação como critério e instrumento de toda reflexão e metodologia pastoral, com o objetivo de preparar educadores e evangelizadores habilitados a serem mediadores do relacionamento entre o Evangelho e cultura em sintonia com a Igreja.

Fazer teologia, portanto, leva o batizado à uma qualificação de base nas ciências teológicas e sua constante atualização possibilita uma compreensão adequada do mistério cristão, a viver com ciência o relacionamento entre Evangelho e cultura, e habilita-o a responder às questões que a ela dirigem as mutáveis situações e a evolução cultura.

A teologia está a serviço da Fé, de sua dimensão eclesial e de sua inculturação. Está indissoluvelmente conexa com a vida e a história do Povo de Deus e com o Magistério que lhe orienta o caminho; tem saliente caráter vital e uma relevante incidência na missão da Igreja e em particular sobre a vida espiritual e sobre o ministério pastoral dos batizados.

Consequentemente, a reflexão teológica ajuda a crescer no amor a Jesus Cristo e à sua Igreja, confere sólido fundamento à vida espiritual, qualifica para a missão de pastor e guia.

Os estudos teológicos pedem que sejam destacados os seguintes elementos que constituem a vivência do “saber teológico”:

  • Assimilar na própria vida os sentimentos de Cristo Mestre, Pastor e Sacerdote, sendo testemunha viva, como os Apóstolos daquilo que “viu e ouviu”;
  • Sentir com a Igreja: assumir a identidade de teólogo como é apresentada pela Igreja e na relação com a comunidade cristã fazer experiência da fé; colaborar na realização da missão segundo os carismas e dons recebidos; agir em comunhão com o Papa e os Bispos;
  • Desenvolver uma sensibilidade forte em relação à dimensão catequética, vocacional e mariana no exercício da ciência teológica;
  • Amadurecer uma atitude de discernimento espiritual e pastoral diante de pessoas e eventos, para poder orientar e acompanhar pessoas e comunidades;
  • Educar-se numa pedagogia de vida que facilite viver em atitude de formação permanente a partir da “conclusão do curso teológico”.

Portanto, o estudo da teologia deve ajudar o aluno a adquirir uma visão orgânica das verdades reveladas por Deus em Jesus Cristo e da experiência da Fé da Igreja.  Por um lado a teologia tem como referência a Palavra de Deus, celebrada e vivida na Tradição viva da Igreja: por isso o estudo da Escritura, dos Padres da Igreja, da Liturgia, da História da Igreja, etc. Por outro lado ela se dirige ao estudante, chamado a crer, viver e comunicar a fé e o ethos cristão: e daí, o estudo da dogmática, da teologia moral, da teologia espiritual, do direito canônico, da teologia pastoral, etc.

A referência ao homem crente exige que se enfrente a questão da relação fé-razão – por isso o estudo da teologia fundamental – tratando da revelação cristã e da sua transmissão na Igreja. E procura dar respostas aos problemas conexos com a situação social e cultural: para tanto, o estudo da doutrina social da Igreja, da Missiologia, do ecumenismo, das religiões e das expressões de religiosidade, etc.

O importante é que todos estes aspectos da teologia convirjam harmonicamente na visão da história da salvação que se realiza na vida da Igreja e nos acontecimentos do mundo como nos ensina a Ratio fundamentalis.

Papa Francisco em recente encontro com teólogos e teólogas do mundo todo ensinou: “como afirmastes no recente documento «A teologia hoje: perspectivas, princípios, critérios», a teologia é ciência e sabedoria. É ciência, e como tal utiliza todos os recursos da razão iluminada da fé para penetrar na inteligência do mistério de Deus revelado em Jesus Cristo. E é, sobretudo, sabedoria: na escola da Virgem Maria, que «guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19), o teólogo procura iluminar a unidade do desígnio de amor de Deus e compromete-se a mostrar como as verdades da fé formam uma unidade orgânica, harmoniosamente articulada. Além disso, compete ao teólogo a tarefa de «ouvir atentamente, discernir e interpretar as várias linguagens do nosso tempo e sabê-las julgar à luz da Palavra de Deus, para que a verdade revelada seja compreendida cada vez mais profundamente, seja melhor entendida e possa ser apresentada de forma mais adequada» (Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et spes, 44). Por conseguinte, os teólogos são «pioneiros» — isto é importante: pioneiros. Em frente! — pioneiros do diálogo da Igreja com as culturas… Este diálogo da Igreja com as culturas é um diálogo crítico e ao mesmo tempo benévolo, que deve favorecer o acolhimento da Palavra de Deus por parte dos homens «de todas as nações, raças, povos e línguas» (Ap 7, 9).

Busquem construir a Paz. É esta mesma paz que está no centro da vossa reflexão sobre a doutrina social da Igreja. Ela tem como finalidade traduzir na realidade da vida social o amor de Deus pelo homem, que se manifestou em Jesus Cristo. Eis por que a doutrina social se radica sempre na Palavra de Deus, acolhida, celebrada e vivida na Igreja. E a Igreja deve viver antes de tudo em si mesma aquela mensagem social que leva ao mundo. As relações fraternas entre os crentes, a autoridade como serviço, a partilha com os pobres: todos estes aspectos, que caracterizam a vida eclesial desde a sua origem, podem e devem constituir um modelo vivente e atraente para as diversas comunidades humanas, da família à sociedade civil.

Este testemunho pertence ao Povo de Deus no seu conjunto, que é um Povo de profetas. Mediante o dom do Espírito Santo, os membros da Igreja possuem o «sentido da fé». Trata-se de uma espécie de «instinto espiritual», que permite sentire cum Ecclesia e discernir o que está em conformidade com a fé apostólica e com o espírito do Evangelho. Certamente, o sensus fidelium não pode ser confundido com a realidade sociológica de uma opinião maioritária, sem dúvida. É outra questão. Por conseguinte é importante — e é tarefa vossa — elaborar os critérios que permitem discernir as expressões autênticas do sensus fidelium. Por seu lado, o Magistério tem o dever de estar atento ao que o Espírito diz às Igrejas através das manifestações autênticas do sensus fidelium. Vêm-me à memória aqueles dois números, 8 e 12, da Lumen Gentium, que precisamente sobre este aspecto são muito fortes. Esta atenção é da máxima importância para os teólogos. O Papa Bento XVI frisou várias vezes que o teólogo deve permanecer à escuta da fé vivida dos humildes e dos pequeninos, aos quais aprouve ao Pai revelar o que escondeu aos sábios e instruídos (cf. Mt 11, 25-26, Homilia na Missa com a Comissão Teológica Internacional, 1 de Dezembro de 2009).

Por conseguinte, a vossa missão é fascinante e ao mesmo tempo arriscada. Estes dois aspectos são positivos: o fascínio da vida, porque a vida é bela; e também o risco, porque assim podemos ir em frente. É fascinante porque a pesquisa e o ensino da teologia podem tornar-se um verdadeiro caminho de santidade, como confirmam numerosos Padres e Doutores da Igreja. Mas é também arriscada, porque comporta tentações: a aridez do coração — isto é mau, quando o coração fica árido e pensa que pode refletir sobre Deus com aquela aridez, quantos erros! — o orgulho e até a ambição. São Francisco de Assis certa vez enviou um breve bilhete ao irmão António de Pádua, no qual dizia entre outras coisas: «Apraz-me que ensines a sagrada teologia aos irmãos, sob a condição de que, no estudo, tu não apagues o espírito da santa oração e devoção». Também o aproximar-se dos pequeninos ajuda a tornar-nos mais inteligentes e sábios. E penso — não faço publicidade jesuítica — em santo Inácio que pedia aos professores que fizessem o voto de ensinar a catequese aos pequeninos para compreender melhor a sabedoria de Deus.

A Virgem Imaculada obtenha que todos vocês cresçam neste espírito de oração e devoção, e assim, com profundo sentido de humildade, sejam verdadeiros servos da Igreja”.

Que assim seja. Amém.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *